terça-feira, 29 de dezembro de 2009

sobre céu's e alice's II

Procurei na chuva uma salvação que outrora ela me dera, quando me lavou de toda impureza e agonia.
Procurei no céu, um chão.
Procurei nas nuvens de algodão um repouso.
Procurei no choro do céu uma união com meu choro.

Mas a chuva me rejeitava e me mostrava, gelada, quão quentes minhas lágrimas eram.


01/12
Alguns problemas no blogger fazem com que eu me ausente nos últimos tempos.
Espero que tudo se resolva e volte ao normal.
Até porque minha necessidade de escrever ao mundo está fazendo meus amigos perderem o sono da madrugada com sms's.
Volto sempre que puder.


Update: voltei.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal, Mafalda.

"- Até que enfim, meu Deus, até que enfim!
- O que foi, Mafalda?
- O Natal está chegando para todos! Já imaginou? Para todos!
- E daí?
- Como? Você não percebe?
- O quê?
- Finalmente está chegando alguma coisa que não é só para executivos, cara!"


Trecho do Livro "Toda Mafalda" de Quino

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

da arte de saber viver

Aquele barquinho de plástico tinha um brilho que ofuscava todo o resto. Não era um barquinho normal, era o "melhooor barquinho de tooooodoo o mundo!"
Enquanto navegava pelos mares de sua imaginação, a magnífica embarcação caiu no chão sujo e se partiu em vários pedaços.
Seu olhar demonstrava quanto desespero se passou em sua cabeça depois da tragédia. O seu sonho estava ali jogado, o seu coração estava ali partido em pecinhas de plástico, nada tinha mais sentido. Era como se seus próprios membros tivessem se desfeito na queda.
Aquela agonia já acontecera antes, e ele pudera se salvar com a ajuda de um ser divino... sua mãe. Mas dessa vez era diferente. Olhava em volta à procura de uma solução. Baixava os olhos quando percebia que alguém o olhava. Morria a cada segundo que se passava - não eram mais segundos, eram eternidades.
Com o coração pesado pela tristeza, recolheu os pedaços no chão e pensou no que fazer com aquilo. Pensou em esperar o tempo passar e receber um novo barquinho. Pensou em gritar para mostrar o mundo quanta dor sentira. Pensou em chorar para tirar aquela dor do seu coração. Pensou em tomar uma atitude para mudar aquilo.
Percebeu que os pedaços poderiam ser encaixados, e seu barco poderia ser remontado. Com paciência, encaixou cada detalhe do barquinho.
Depois de montado, seu barco pôde navegar, e seu coração pôde de novo amar. Tudo estava remontado. E desta vez, ele aprendera a (se) refazer sozinho.
E com 3 anos, 9 meses e 20 dias de idade, ele já aprendera a viver. Sim, ele é um herói.

conotativamente hipoglicêmica

Hoje meu coração parou. É bonito dizer isso, não é? Mas nada de bonito tem em sentir. Pelo menos não dessa vez. Já senti meu coração parar - por amor, ou paixão, sei lá. Mas nunca sentira como hoje.
Suponho que seja raiva, mas o sentimento ruim que toou o meu corpo naquele momento não era claro. Ainda não tenho certeza se tenho motivos para sentir qualquer coisa, realmente. Mas aquilo foi incontrolável.
Ainda posso sentir as dores físicas, o amargo na boca, o ardor nos olhos, o baque que meu abdômen sentiu. Antigamente, conseguia me recuperar mais rápido, contudo esse tormento demorou uma eternidade infinita a passar.
Me perguntei como meu coração pôde ter batido tão rápido enquanto estava parado. Não, ele não estava parado. Ele estava em processo de petrificação, e a batida de um coração de pedra dói mais que a batida de um coração de carne. Deus, como doía!
Assim que o processo começou, a comida que eu me obriguei a ingerir passou a sentir nojo de mim e queria me deixar; meus nervos não queriam mais me sentir e passaram a desejar se desgrudar de mim; meu cérebro tentava aumentar seu tamanho para estourar minha cabeça e fugir dela. E a dor de ser abandonada por eles quase chegou ao insuportável.
Meus olhos decoraram cada detalhe do provável odiado ser. E, com razão ou não, odiei cada um daqueles detalhes. Culpei-o por todas as dores do mundo, por todas as mortes sangrentas do mundo, por todos os sofredores do mundo, por tudo no mundo. Tudo era por culpa sua, ainda que ninguém fosse culpado.
Aquele momento se assemelhava às minhas crises de hipoglicemia. Tudo era igual... Os batimentos do coração, o suor frio, o esverdeado das mãos, a atordoada tontura, o rosto todo - e principalmente a boca - pálidos, a vontade de ir embora - não se sabe pra onde, talvez ir embora de mim, deixar de ser eu - como é forte a vontade! Mas não era açúcar que me faltava. Aliás, talvez aquele sentimento amargo tirara toda a minha doçura, até mesmo no sentido literal.


terça-feira, 01 de dezembro de 2009.

(sobre) vivência

Eu não quero ser como as outras amebas que não vêem sentido na vida.
A vida não tem sentido, mas eu não quero pensar nisso. Eu quero conseguir fingir para mim mesma que a vida faz sentido, ainda que ela seja uma enrolação.
Eu quero viver. Sobreviver não me basta.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Agenor de Miranda Araújo Neto

Eu acabo de assistir um vídeo de 6 minutos e ele conseguiu me dar mais ânimo pra tomar vergonha na cara e me levantar.
Ainda que meu ânimo só durasse 6 minutos, pelo menos existiu algum ânimo.


Obrigada por ser a melhor pessoa do mundo, ainda que eu não tenha te conhecido.
Não preciso dizer mais nada sobre você no blog, porque você sabe, de alguma forma, tudo o que eu quero te dizer.
Melhor ainda, você soube tudo o que eu quero dizer ao mundo.
Soube o que acontecia comigo mesmo antes que eu soubesse.
Mesmo antes que acontecesse.
Mesmo antes que eu existisse.
Mesmo antes que tudo existisse.
Tão inexplicável, tudo isso...
Sabe por que é inexplicável? Porque é mágico.
E eu realmente não quero que ninguém entenda. Poderia causar inveja.
Então encerro meus dizeres deixando milhões de coisas não ditas, mas sentidas. Coisas amadas e sofridas. Coisas que só os exagerados -realmente e genuinamente exagerados- têm.



P.S.:Eu também queria ser marinheira!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Chega de ser ridícula.

Isso seria um recado do orkut, mas virou um post. Com esse monte de citações, eu vou encerrar*¹ essa babaquice de falar nesse assunto. Meu blog definitivamente não vai virar um amontoado de lamentações por isso.

Ainda estou mal, mas sei que um dia vai passar. Eu não vou morrer. Eu estou morrendo. E não é literalmente. "Estar morrendo" quer dizer que estou agonizando, sofrendo, e sentindo muita dor; mas que não terei o alívio da morte. As coisas continuarão assim por algum tempo porque eu não consigo (ainda) me levantar. Então eu fico aqui, morrendo sem nunca morrer.

Li a expressão "puxaram meu tapete antiderrapante"*² e achei genial. Completo dizendo que puxaram meu tapete antiderrapente, e puxaram pela frente. Aí eu caí de costas, e fiquei aqui no chão porque o choque do contato dos meus pulmões com o chão não me deixava respirar. Numa tentativa inútil de inspirar algum oxigênio, eu inspirava todas as dores do mundo. Mas não conseguia respirar, não conseguia me levantar, não conseguia. Fiquei aqui no chão sentindo o chão gelado e sentindo as dores do mundo. Enquanto meu tapete era levado.
Por favor, não comentem "Isso passa." Eu já sei. E eu não quero ouvir o que eu já sei.
Segue o que seria o recado...

Sabe quem eu amo? Tati Bernardi...
Ela escreve o que todo mundo sente, sentiu ou sentirá um dia (pelo menos o que eu sinto) numa montanha magnífica de textos lindos...

"É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.

Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.É triste

saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele."



Mas ela também me dá um tapa na cara e me mostra o quanto eu sou ridícula... Mas eu sei que vou deixar de ser ridícula. E espero que isso seja em breve...

"Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E foda-se você. "

"Mas chega, se não houve troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, mas não para sofrer.Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz. "


*¹Já que é pra encerrar, vou deixar o link da música de hoje... Sonhos-Peninha
*²O Diário de Bridget Jones- lindo lindo lindo


domingo, 22 de novembro de 2009

Em resposta ao PPP

Diel,

Eu sei que não podemos evitar algumas coisas, e que devemos continuar vivendo-apesar de tudo.
Mas eu não sei o que fazer. Eu não sei como continuar. Eu não sei como sair desse buraco. Não sei.
Sei que a resposta mais óbvia é esperar o tempo curar tudo, mas você sabe que eu sou ansiosa. Eu quero que tudo se cure AGORA.
Queria curar tudo com um Polaryn comprimido ou um Buscopan injetável. Mas se nem aquele álcool todo resolveu, nada resolve.
Isso vai passar, como tudo na vida passa. Talvez seja essa a esperança que me faz continuar... que vai passar.

E é claro que eu vou precisar de você. Eu sempre preciso.

E "amigo é aquele que te oferece a bebida, escuta teu choro, te espera vomitar, te ajuda a curar a ressaca e ainda te pergunta (sinceramente) se vc tah bem".

Obrigada por tudo. Obrigada por existir. Obrigada por fazer parte da minha vida.
Amo você.


[Onde tudo começou? No blog dele.]

sábado, 21 de novembro de 2009

"E o seu amor que agora era impossível — que era seco como a febre de quem não transpira era amor sem ópio nem morfina. E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Nome próprio

Camila saiu da festa tentando em vão disfarçar sua dor. A dor era quem disfarçava Camila. A dor tomava conta dela.
Queria ter chorado quando ficou sozinha. Mas o choro não esperou. Quando estava em público, chorou. Quando estava sozinha, chorou. Chorou...
Chorou no elevador, chorou no corredor e na rua. Caminhou até o ponto de ônibus mais distante. Caminhou e chorou. Pegou o primeiro que a deixasse perto de casa. Chorou no ônibus.
Em casa, sentou-se, e acolhida pelo choro, aquietou-se.



[Texto do filme Nome Próprio. Adaptado para se adequar ao momento.]

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

um segundo de tristeza

O que acontece é que eu sempre sinto tudo com muita intensidade.
Hoje, quando qualquer outra pessoa no meu lugar iria querer morrer, eu não sentia isso. Já não era uma vontade. Era uma necessidade. Deus, como eu precisava morrer! Ou talvez nem isso... eu só precisava deixar de existir. Cheguei ao momento em que viver dá tanto trabalho, que minhas forças já não eram suficientes.
Meu choro vinha com tanta força, que pensei que não ia aguentar mais. Não saía dos meus olhos, saía de dentro do meu estômago. Vibrava todo o meu corpo com o desespero terrível e explodia incontrolável. Enfim, achei um corpo moço que me apoiava. Mas de repente, que estranho!, esse apoio desabava comigo no meu choro... Ainda me pergunto se desconfiava o que eu sentia... Mas me acompanhou naquele terrível momento. E chorava também.
Mas chegou tarde. Eu já não mais chorava... Eu já começara a sangrar aquela terrível dor. E, enquanto sangrava, sorria por pensar que a hemorragia poderia me matar. Eu ia, enfim, morrer! Mas isso não aconteceu. Agonizei eternamente sofrendo com aquela dor. E não morria... Me obrigavam a continuar vivendo!
Não sabia a quem pedir a morte, mas pedia. Numa esperança inútil de que tudo tivesse fim. E, sabendo que não morreria, me remontava pra tentar viver. Única saída.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

.

Concluindo, o que eu quero dizer realmente com isso é que eu não entendo. E não entendo um milhão de coisas, um milhão de pessoas, um milhão de pensamentos que passam na minha cabeça. Não entendo. E fico mais confusa sempre que tento entender.

domingo, 15 de novembro de 2009

Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

"Nessa mesma noite gaguejara uma prece para o Deus e para si mesma: alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."


[Trecho de Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector]

Sabe quem eu odeio de verdade?

Karla Christine.
Não sei nada sobre ela, além do texto PsicólogaXCazuza. E isso me basta pra odiá-la.
E se você receber um e-mail com o texto dela e me repassar, eu vou odiar você também.
Ridícula.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ele encontrara um bilhete na mesinha de centro...

"Precisava tanto me alimentar da sua presença agora. Juro que não é gula. Sei que já deveria estar satisfeita com o que me alimentei. Mas não é saudade... é vontade de que você estivesse aqui.
Eu queria um colo, um olhar, um abraço, uma voz, um sinal de que você não está morto e eu não estou sendo a pessoa mais tola do mundo em te amar tanto assim.
Passei o dia num banquete de presenças ilustres. Estive rodeada de maravilhosas pessoas. Fiz coisas boas. Devorei um dos melhores livros que eu poderia ler agora. Aprendi coisas.
E, ainda assim, um vazio se instala no meu peito e diz que eu preciso de você aqui e agora."

Por isso, suspeitavam que ela morreu de fome.




24/10/2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

depoimento inútil e idiota. mas é meu.

As coisas não precisam dar certo pra fazer o mundo ser lindo...
É só acordar acreditando que tudo é lindo, que tudo colabora pra ser lindo mesmo.
As coisas estão tão mais lindas... Pelo menos ontem, pelo menos hoje... Pelo menos...
Pelo menos estive/estou feliz e animada.
Que bom.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em resposta à garota animada...

Marina,
Talvez eu realmente esteja desesperada. Tenho medo de me afundar na lama também.
Mas principalmente nessas horas de desespero em razão de tudo de errado que existe no mundo, é que eu percebo realmente como é importante ter onde se apoiar. Obrigada por me dar a oportunidade do apoio.
Obrigada por estar presente.
Obrigada por me ouvir com paciência, e me responder com sinceridade.
Obrigada pelo abraço, pelo ouvido, pelo sorriso.
Obrigada por tudo que é aparentemente simples, mas que faz enorme diferença na minha vida.
Obrigada por ser estranha.
Amo você!



[Onde tudo isso começou? No blog dela! Passa lá! ~> http://tempestadeincrivel.blogspot.com/2009/10/rir-e-bom-mas-rir-de-tudo-e-desespero.html ]

sábado, 31 de outubro de 2009

história de amor quase impossível

Meu peito grita milhares de coisas, mas minhas mãos se negam a escrevê-las.
Memórias, por favor... Esperem a boa vontade de meus membros!
Se guardem, donzelas, em minha mente até que meus dedos te salvem e te levem num belo cavalo branco... ou num velho teclado preto.

domingo, 25 de outubro de 2009

Atarefada

Lista de tarefas:

-Morrer de dor
-Morrer de chorar
-Morrer de saudades
-Morrer de vontade
-Morrer de culpa
-Morrer de medo
-Viver, ainda que morrer.



Ok. Tudo feito.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os desastres de Sofia

"Estudar eu não estudava, confiava na minha vadiação sempre bem-sucedida e que também ela o professor tomava como mais uma provocação de menina odiosa. Nisso ele não tinha razão. A verdade é que não me sobrava tempo para estudar. As alegrias me ocupavam, ficar atenta me tomava dias e dias; havia os livros de história que eu lia roendo de paixão as unhas até o sabugo, nos meus primeiros êxtases de tristeza, refinamento que eu já descobrira; havia meninos que eu escolhera e que não me haviam escolhido, eu perdia horas de sofrimento porque eles eram inatingíveis, e mais outras horas de sofrimento aceitando-os com ternura, pois o homem era o meu rei da Criação; havia a esperançosa ameaça do pecado, eu me ocupava com medo em esperar; sem falar que estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda eu é que não podia; ter nascido era cheio de erros a corrigir."


Trecho de "Os desastres de Sofia", de Clarice Lispector


Minha filosofia de vida em relação aos estudos... Preciso crescer pra depois aprender! [Aprendi com Clarice! hehehe]

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A descoberta das mãos

Sua mão pequena e delicada nasce em seu braço e escorre pelo ar até alcançar meu rosto. O seu leve toque me trazia uma sensação de mais força que uma agressão de um animal feroz e, ao mesmo tempo, mais suavidade que uma pétala da mais rara flor. Eu nunca saberei explicar o que sua pele causava em mim - talvez me falte algo para saber entender tudo o que se passara ali.
Naquele momento eu não precisava de mais nada, além de suas mãos. Suas mãos me faziam gritar silenciosamente: "Eu sou um homem de verdade!" Não. Não era isso que eu gritava. Meu grito ultrapassava isso. Talvez eu gritasse: "Eu sou humano de verdade". Sim, era isso que eu gritava. Era isso que eu sentia. Eu era humano. Ser humano. Ser.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O fim do mundo

Aí Deus chegou - de cara limpa, sem nenhuma longa e branca barba - e me disse:

-O mundo acabou. A partir de agora, tudo é um longa longa-metragem. E é você quem escreve, produz e dirige. Tudo está em suas mãos.

Mal pude esperar que ele terminasse de falar para que eu pudesse colocar aquilo tudo em prática. Meu coração não batia mais. Suas pancadas eram tão fortes e tão rápidas que se transformaram num zumbido. Eu estava animada como nunca estive antes. O mundo, enfim, seria perfeito. Seria como eu sempre quis. Seria como deveria ser.

Resolvi começar pelo fim. O mundo acabou. Seria mais fácil organizar o caos todo se eu apagasse os erros anteriores e começasse a desenhá-lo numa folha em branco. Assim o fiz. Troquei minha cadeira preta com escritos em negrito branco ( negrito branco existe?) : "DIRETOR". Nada de cadeiras... me sentiria mais confortável num balanço. Um maravilhoso balanço, que me fez voar além de tudo para buscar as melhores ideias lá do alto.
Enquanto me balançava, decretei o começo/fim:
CORTA!

E então acordei.

sábado, 17 de outubro de 2009

Em resposta à Butterfly...

Wanessaaaa!!!
Quando resolver fazer uma coisa dessas de novo, me avisaa antees!!! Vc sabe que o coração da "véia" aki não é tão bom assim!!! kkkkkk

Ain, amigaa... Nem sei dizer o quanto eu amei!!! Meu ego tah super inflado! Minha auto-estima está além dos mais altos dos céus! Mas o melhor de tudo é saber (sempre) que eu tenho -pelo menos- uma amiga sincera no mundo!

Estava lendo um conto da Clarice Lispector, chamado Uma amizade Sincera (o final é triste, mas ele é lindo!), onde ela diz que "tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo."

Amiga, às vezes eu pensava porque passei tanto tempo com tanta antipatia por vc, e agora cheguei à uma conclusão: nossa amizade não poderia ser uma coisa banal pra ser construída em pouco tempo. A gente teria que passar por coisas diversas antes, para que pudéssemos dar o devido valor a essa amizade. Tudo fora providenciado. Tudo teria um intuito maior por trás. Tudo girava em torno desse momento em que você seria essencial na minha vida.
Nunca conseguirei te dizer tudo o que o meu coração grita, mas isso é um bom começo pra te responder.


(Resto das pessoas que ficaram curiosas... O início disso tudo está no blog dela... Passem lá e vejam como ela me ama!!! kkkkkk (L) http://bluebutterflywanessa.blogspot.com/2009/10/alice.html )

Américo Xavier de Matos (L)

Hoje seria o aniversário do meu amado avô... Ele faria 70 anos. Nunca vou conseguir descrever quanta falta sinto dele, mas resolvi republicar um post que estava no meu antigo blog...


E de repente eu me sentia com 6 anos, sabendo que ia ganhar bronca e a única coisa que eu precisava era de um dedinho. Ou melhor, DO dedinho.

De repente eu me via sozinha no chão do quarto agarrada a uma toalha pra não dividir com ninguém os gritos desesperados do meu choro.

De repente a saudade vinha e inundava aquele lugar e ia me afogando e eu não alcançava absolutamente nada pra me apoiar. E eu só precisava do dedinho.

De repente eu me encontrava com o desespero de novamente não ter nunca mais a textura da pele tão cheia de rugas, nem a bela dança da testa e das orelhas, nem o azul tão azul dos olhos de céu.

Há tempos eu não sentia tanta saudade. E era uma saudade doída, sofrida, que quando uma mão grande vem e aperta o coração da gente com muita força, ele não aguenta mais e libera seu sumo através de lágrimas.

Não. Ontem minha saudade não fora boa. Ontem minha saudade inundava meu ser e só me deixara sofrer cada vez mais por não mais ouvir seus pés se arrastando pelo chão.

Ontem eu precisava de seu tom de pele quando ruborizava-se num ataque infinito de risos. Eu precisava do seu mau humor por causa da nossa bagunça. Eu precisava da sua surdez conveniente. Eu precisava dos seus cabelos prateados. Eu precisava do seu sorriso humilde e espontâneo. Eu precisava da segurança que um simples gesto me passava. Mostrar o dedo mindinho ou entrelaçá-lo ao meu trazia sensações diferentes, mas igualmente eficazes.

Eu só precisava do meu avô. Porque nenhum outro dedinho terá efeito igual ou pelo menos similar.


16/04/2009



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O doze

"- E outra coisa.

- O quê, mestre?

- Não era o 12. Era o 21.

- O 21?!

- O 21.

- Então por que o senhor falou todas aquelas coisas sobre o 12 e a sua importância em nossas vidas?

- Porque o 21 não tem a menor graça, ao contrário do 12. Porque o 21 não tem nenhuma história, ao contrário do 12. Porque o 21 não significa nada, ao contrário do 12. Porque a única coisa interessante sobre o 21 é que ele é o contrário de 12.


E o sábio fechou os olhos e indicou com um sinal que a consulta estava terminada e ele estava reintegrando-se com os cosmos."




Trecho do conto "O doze" de Luis Fernando Veríssimo

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bela tempestade

A forte chuva amedrontava os outros todos, mas não a mim.
Não gosto de chuvas, mas aquela era especial. Ela não apareceu ali casualmente. Ela tinha um propósito. E, felizmente, eu entendi o que ela queria.
Sua ferocidade em entrar naquele local tinha como única intenção chamar minha atenção.
Sua vontade ao entrar e gritar era que eu a escutasse por um instante.
E eu escutei.
E era lindo.
Ela cantava. Não. Ela falava. Ela respondia tudo o que eu perguntava até ali...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sobre céu's e alice's

Nesses dias de eterna neblina, eu penso como adoro sentir qualquer coisa. Mesmo que seja pra morrer de tristeza, qualquer coisa é melhor que esse nada que domina o céu até me alcançar e me deixar assim também- nada.

Olho para o alto na esperança que essa coisa estranha se transforme em um manto negro com raios e trovões ou numa imensidão de luz do Sol e nuvens de algodão em forma de coelhos.

Olho para o espelho e imploro que esse ser insosso tenha alguma manifestação de ser humano. Que me mostre que não está mais vazio...



Ok. É só tédio.

domingo, 11 de outubro de 2009

uma história

Era evidente que ele mancava. Ele precisava da ajuda de muletas. Todos notavam sua tristeza e acreditavam que ela existisse devido ao seu problema físico. Contudo, ele se entristecia pelo fato de ninguém se preocupar realmente com o que acontecia dentro dele.
Naquela noite de segunda-feira, de alguma forma, ele permitiu que eu soubesse o seu segredo. Foi ali, então, que eu pude entender tudo...

Garoava naquela tarde. Ele esperava sua amada naquele local, como havia prometido. As fracas gotas de chuva não o incomodavam.
De repente, uma bela moça apareceu. Há tempos ele não via uma garota tão linda. Seu jeito de flutuar no chão, enquanto todos os outros caminhavam, provava que ela era um anjo caído. Ele não sentia culpa por estar enfeitiçado por ela, ainda que fosse comprometido. Ele não tinha interesse nenhum nela, além de ver seu encanto no ar. Impossível dizer quanto tempo ele ficou ali admirando aquele ser. Até que tudo aconteceu.
Um rapaz se aproximou da bela moça com terrível agressividade. Aquele ato fez com que sua visão maravilhosa se transformasse em um terrível pesadelo de repente. Ele continuou a observar o que aconteceria então...
Ele não tem certeza, mas acredita que aquele rapaz era um ex-namorado da garota. Aquele rapaz olhava para aquela garota com uma fúria terrível no olhar. Eles tiveram uma discussão séria, até que ela resolveu ir embora e deixar o rapaz falando sozinho. Foi então que ele percebeu que o rapaz tirara algo de dentro do casaco. E aquilo brilhava mortalmente. Nem pensou antes de se jogar na direção do rapaz, na esperança de salvar a bela jovem.

Depois disso, ele não se lembra mais dos fatos com clareza. Ele sabe que os dois lutaram. Sabe que a garoa se transformou em chuva. Se lembra da sensação de chuva nele. Se lembra da sensação terrível que sentiu depois do som do tiro. Se lembra dos gritos e de que algumas pessoas vieram ajudar antes que uma tragédia realmente acontecesse. Um branco na memória. Sirenes. Outro branco. Pensou em Clara. Ele estava ali para encontrá-la. Onde estaria? Como estaria? Como saberia o que estava acontecendo?
Seus pensamentos foram interrompidos pelos pedidos desesperados de desculpas da moça em meio a agradecimentos e muito choro. Ele não conseguia raciocinar direito. Seus pensamentos estavam confusos. E sua perna estava estranha. Ele tentava tocá-la, mas ela tinha sumido. Então ele dormiu.
Quase acordou. Olhou em volta. Clara não estava, só aquela bela moça cochilando num canto. Olhou subitamente para sua perna e, com grande alívio, percebeu que ela estava ali. Mas Clara não estava.
Ele queria ligar pra ela, mas não conseguia porque seu corpo queria dormir. Dormiu.

Os médicos fizeram todo o possível, mas o incidente deixara sequelas nele.

Ele não pôde andar sem auxílio novamente.

Teve até um início de amizade com a moça, mas acabaram se distanciando.

O pior de tudo fora a conversa com Clara. Ela lhe contou que marcara o encontro para terminar o relacionamento, mas mudara de ideia depois que tudo aconteceu por perceber quão horrível seria perdê-lo pra sempre.
Contudo, ele não acreditou. Pensava que ela estava com ele por pena de sua nova deficiência, já que tinha pensado em deixá-lo.
E terminou com ela.
E sentiu que morreu, então. E vive morto todos os dias...
Eu só não sei que diferença isso vai fazer.
Uma flor não continua sendo uma flor, mesmo que eu a chame de "geladeira"??? Ela terá a mesma cor, o mesmo perfume, o mesmo encanto...
Então, que diferença faz? Nenhuma.

domingo, 4 de outubro de 2009

Momento de caos (d)escrito

Eu agora sobrevivo de café, sono e insônia.
Minha mente está aprendendo- à força, diga-se de passagem- a engolir tudo o que existe no mundo de uma vez só e depois fazer uma boa digestão pra conseguir separar tudo. Lembre-se: eu disse aprendendo. Mas um dia ela fica boa nisso.
Estou tentando entender por que pessoas gostam de mim quando sou insuportável; por que amigos se sentem gratos por minhas palavras inúteis quando eles precisam tanto de mim e eu não consigo ajudá-los; por que eu continuo fazendo coisas que eu sei que nunca vão dar certo; por que eu sou tão confusa; e por que uma potência com base diferente de zero e expoente zero é 1.
Mas acho que, na verdade, eu não quero mudar certas coisas em mim. Não quero deixar de perguntar alguma coisa que eu não saiba por medo de parecer ridícula. Não quero deixar de dizer o que eu penso por medo da reprovação alheia. Não quero deixar de morrer de chorar de saudades quando um avô qualquer morrer, e eu me lembrar do meu. Não quero deixar de gostar de coisas estranhas, quando elas me remetem a alguma coisa boa. Não quero ser outra pessoa, quando eu posso ser eu.
Concluo pedindo desculpas pela ausência. Não necessariamente no blog. Mas na vida de todo mundo. Eu prometo voltar...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Eles transbordam de satisfação com a beleza de seus sapatos, porém seus pés não têm outra utilidade senão calçá-los. Eu continuo preferindo poder caminhar por qualquer caminho.
Eles mostram uns aos outros a perfeição de seus peitorais. Satisfaço-me com um coração sofrido e surrado que bate dentro do meu velho peito.
Eles são frios, mas inquebráveis. Eu não sei quando uma flecha pode atravessar meu frágil corpo. Mas calorosamente vivo, porque corre sangue quente nas minhas veias.
Eles têm rostos feitos com toda perfeição imaginável, mas não veem o pôr do Sol, não escutam o maravilhoso coral dos pássaros, não sentem o cheiro inebriante de uma flor lilás, não degustam o sabor docemente amargo do mundo, não experimentam a delícia de um arrepio.
Quem são? Belas estátuas estáticas.
Quem sou? Um pombo sujo e livre.




Trecho do conto "Adoráveis sombras de liberdade". E vai ser só trecho mesmo, porque sendo muito grande, ninguém prestaria atenção.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Paralelamente parados
procuramos parágrafos
nos números, nos nomes,
nos nascidos, nas nações.
E encontramos ecléticos,
eclesiásticos, extremistas,
excomungados e exibicionistas.
Sublimes somos
e sujos são.
Mas, magníficos,
memorizamos meias metades;
ouvimos os óbvios;
observamos ossadas.



Que idiota.

domingo, 27 de setembro de 2009

Que eu sou uma página diferente a cada dia. E é assim, sem nexo, que eu componho o livro da minha vida.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

E eu estou feliz.
Sem precisar explicar.
Me cansei de ter que dizer por tudo e para todos os motivos pelos quais estou de determinado jeito.
Mas quero dizer que estou feliz.
Porque estou feliz. Simples assim.

domingo, 13 de setembro de 2009

perdida num caminho sem destino certo.

Será que se conhecêssemos os mistérios da origem do mundo, entenderíamos os mistérios do destino do mundo? Ambos estão relacionados a um mesmo e único motivo, talvez?

Qual será a única dúvida cuja compreensão é necessária para se entender todo o resto?

Um dia perceberemos que as coisas complicadas, na verdade, são simples?

Quem é o grande responsável pela felicidade e pela realização pessoal da humanidade? Quem pode dar alguma garantia? Pra quem a gente reclama quando tudo dá errado?

Por que ninguém sabe responder ainda milhões de perguntas que já foram feitas milhões de vezes? Estamos sempre (e pra sempre) no caminho errado? E como é que a gente reconhece o caminho certo?

E o que eu realmente preciso perguntar para descobrir o que vai ser de mim?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nunca tivera tantas pessoas ao seu redor quanto naquele momento em que tanto desejava a solidão.
Nada tinha contra todos, porém o ar não parecia conseguir te encontrar. Precisava respirar. Precisava ficar só.
Qualquer instante de solidão seria sua salvação. Não importava quanto tempo. Uma necessidade, física até, de estar consigo. Enfim, sós.

03/09/2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Doente (?)

Só quero saber que médico eu devo procurar. Não sei se o problema é ocular. Pode ser também alguma coisa no coração. Ou talvez algo no sistema nervoso.
Não sei se é grave ou alguma coisa besta que todo mundo já teve. Nunca ouvi nenhum boato sobre qualquer cura. Não sei como os sobreviventes sobreviveram.
Meu sintoma principal é fácil de descrever: de repente eu acho tudo ridículo. Aliás, isso não sai da minha cabeça. Inspiro e penso: ridículo. Expiro e ouço: ridículo. E está tudo assim... ridículo, ridículo, ridículo.




Ridículos são.
Alguns, ridiculamente sãos.
E somos.
(Des)igualmente ridículos.

domingo, 6 de setembro de 2009

"Aprendi que os poetas, no mínimo, querem ensinar os homens a sonhar, provando inclusive que a palavra é o instrumento maior da alma e que a vida, apesar das picuinhas do cotidiano, é uma benção positiva; mas que coragem é preciso. Sonhar é preciso."

Gabriel Nascente

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

um casulo e uma borboleta

É o momento em que o casulo só precisa de uma leve brisa para permitir que a borboleta voe. Não se sabe mais se sua força é suficiente para manter aquele inseto tão guardado. Talvez o casulo não consiga mais mantê-lo e necessite soltá-lo.
O casulo está mais fraco enquanto a borboleta se fortalece.
Talvez a borboleta não consiga mais viver lá dentro e precise atender aos desejos das duas asas. Ela imaginava que sua metamorfose demoraria mais e ela seria lagarta por mais tempo. Mas ela agora tem uma ponta de dúvida em relação à sua permanência lá. Ainda que sinta medo, sabe que é inevitável, e um dia ela vai sair. Mal pode esperar...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Memórias presentes

Futuro do pretérito imperfeito
Mas o que ela não conseguia explicar pra ninguém era que aquela vontade de ser louca não era uma vontade de ser louca, somente. A aparente irresponsabilidade nunca fora tão atraente.
Do meio do nada surgiu um grito que ansiava por liberdade. Ela só queria fugir de tudo aquilo. Em momento algum ela dissera que não gostava da vida que levava. Aquilo não queria dizer que ela não amava as pessoas que estavam à sua volta. Não necessariamente, ela estaria insatisfeita com tudo o que tinha e vivia.
Mas o que sentia era maior que ela. Ela pensava que era só atender à covardia e manter tudo como estava, como sempre. Mas tudo parecia maior dessa vez. O grito era mais alto. O destino desejado era mais bonito. Os meios eram mais fáceis. Tudo era mais tentador.
Nada tinha mudado. Exceto ela... Era ela quem mudara naquele cenário habitual. E depois que a certeza de ficar sumiu, ela ficara totalmente perdida. Não sabia se conseguiria apenas ficar, ou se dessa vez ela iria.
Iria pra onde? Como? Pra sempre ou só por algumas semanas?
E pensar que uma única pessoa a mantia ali pra sempre, mas não sabia se a manteria ali por enquanto.
Se sentia tão confusa e ao mesmo tempo tão certa. Sentia tanto medo e tanta vontade.
Melhor era parar de pensar nisso e voltar ao pensamento mais perto do momento certo. Ela sabia que o desespero poderia lhe ajudar a tomar uma decisão. Sempre fora precipitada, e aprendera a viver com isso. Sim, deixaria de pensar antecipadamente e seria precipitada.
O que vier depois, está bom...

Desejo de poetizar

Eu quero ser uma poesia.
Eu quero ser bela assim.
Eu quero voar pelo mundo.
Eu quero enganar os ignorantes,
e emocionar os sábios.
Quero passar pelas mãos, pelas bocas, pelos corações.
Eu quero ser palavra de um casal apaixonado,
quero ser o grito do ser atormentado,
quero ser a escrita de um papel desesperado.
Quero falar sobre qualquer coisa,
sobre nada, sobre tudo.
Quero mudar meu rosto a cada novo olhar.
Quero me mostrar diferente pra cada canto.
Quero ser lida, quando na verdade sou eu quem leio.
Dar colo, um tapa na cara, um desabafo, eu quero.
Quero salvar o poeta e o leitor,
de uma só vez.
Ou duas, ou três...




27/08/2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A ausência da escrita acaba por tirar minha vida. Perco as forças, perco o rumo, perco a cor, o brilho,o ar. A tinta entra em contato com o papel e numa fotossíntese fantástica produz o meu oxigênio.Gritar nas minhas linhas faz meus pulmões respirarem como novos. Movimentar meus dedos faz com que todos os músculos, ossos e nervos sintam-se exercitados. Essa sensação, eu sei, é universal. Mas quem a sente sabe também que ela não se mostra no papel como aparece em seu próprio ser.

24/08/2009

A despedida é pra sempre?

E um despertar pra vida me fez perceber que você não estava mais comigo. De repente, eu vi que você simplesmente desapareceu.
Se eu fosse um pouco mais atenciosa, saberia como/quando/porque você foi embora. Se eu soubesse isso, seria fácil te trazer de volta. Mas eu não sei se você foi para sempre ou só até daqui a pouco.
O problema é que eu nunca imaginei como seria a vida sem você, eu não me preparei para isso, eu não sei o que eu faço agora. Não sei.
Ai, como a saudade me dói. A pior saudade. A pior dor. A pior situação. Se você soubesse o sofrimento que isso me traz não faria isso comigo. Você não tem essa maldade.
Me mande um sinal, uma carta, um bilhete, um grito, um sinal de fumaça... Me diz qualquer coisa, me dá força segurando a minha mão, me protege me dando um abraço apertado, me salva! Volta pro teu lugar ou tira de uma vez esse vazio do meu peito.
Ei, é sério... Eu estou começando a ficar realmente desesperada. Olha pra mim quando resolver me dizer que não me aguenta mais e vai me deixar. Eu quero que, no mínimo, seja cara a cara. Por favor, por favor...
Se fosses pelo menos uma pessoa a quem eu pudesse procurar e achar e entender e esclarecer. Mas e quando perde-se a si mesmo? Onde procurar?


23/08/2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mas começo a pensar que isso tudo que a gente acha que é vida não é vida realmente. É só uma máscara escondendo a verdadeira vida real. Alguns a encontram e vivem, enquanto outros preferem rejeitar a loucura e viver mascarados, sem nunca saber o que é viver.

sábado, 22 de agosto de 2009

"Não existe amor sem medo..."

Por que eu sinto tanto medo em relação a nós? Tenho medo que me deixe, tenho medo de querer te deixar. Tenho medo que tudo isso se acabe. Tenho medo que seja bom demais para durar pra sempre. Tenho medo que tudo isso vire só uma doce lembrança.
Tenho medo de te ver morrer. Tenho medo de morrer e sumir do teu coração.
Tenho medo de um dia precisar mas não conseguir te dizer tudo que eu penso, tudo o que eu quero, tudo o que eu sinto.
Nem sei do que mais sinto medo, mas sei que sinto.
E assim você se torna minha cura e meu veneno.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Só esqueceram de perguntar depois se me convenceram sobre os motivos para continuar seguindo todo mundo. Esqueceram de confirmar no fim se eu realmente quero ser parte desse todo mundo. Não quiseram saber se eu vou obedecer às regras. Não se lembraram que talvez eu não queira ser lembrada pelos meus bons modos.
Talvez a rebeldia e aquele caminho ali logo ao lado - tão vazio e abandonado - me atraiam mais. Quem sabe eu não queira ser mais uma fora desse círculo que ando desprezando tanto?
Pode ser que alguém tenha me dito, e minha inconstante memória tenha me traído. Mas a verdade é que eu realmente não me lembro dos motivos pelos quais eu preciso me comportar bem aqui.
Se cada ser humano busca seu próprio bem estar, por que eu tenho que ser uma "dama", quando isso não me traz bem estar nenhum? Por que eu preciso me sentir tão deslocada nesse mundo? Por que eu não posso simplesmente ser eu mesma e ser feliz assim? Por que eu preciso procurar cegamente o poder, se eu nem me importo tanto assim mais com ele? Por que eu preciso precisar desesperadamente de dinheiro, se outras riquezas são mais importantes pra mim que ele?
Acho que suas regras não estão me convencendo mais... Acho que suas verdades não são tão reais pra mim agora... Talvez eu necessite de mais.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fria e calculista ou quente e letrista?

Estava falando com uma amiga sobre questões do coração. Decepções amorosas, abalos que a gente sofre em fins de relacionamentos, vontade de morrer e outras coisas mais que todo mundo já passou na vida... Mas o que mais me interessou foi quando chegamos ao ponto de questionar a melhor forma de levar os relacionamentos amorosos e, mais do que isso, de como levar a vida...
Sinceramente ainda não descobri como é melhor ver o mundo e agir na vida. Encontro prós e contras em ambos os lados. Se por um lado agir friamente às vezes te salva de inúmeras decepções, viver tudo seguindo somente o coração pode te trazer emoções maravilhosas.
Se pudéssemos saber o que vai acontecer depois, poderíamos então saber como agir em cada situação. Se soubéssemos quando alguém nos faria sofrer a ponto de não sabermos mais se conseguimos sobreviver, ativaríamos o modo frio e calculista. Se soubéssemos que alguém seria tão importante em nossas vidas a ponto de nos fazer esquecer de todo o resto e perder o ar por alguns segundos, voilà! só ser quentíssimo e mergulhar fundo nessa história...
Mas acontece isso? Não.
Então o que fazemos? Decidimos que o melhor é se apaixonar sem medo quando se está apaixonado, mas dizer com toda certeza "Nunca mais amo ninguém! Serei a pessoa mais fria desse mundo a partir de agora!" depois de um pé na bunda.
O que é melhor então, caro leitor?
Talvez o melhor seria alcançar o equilíbrio nisso tudo e ser um pouquinho de cada coisa... Mas existe algo no mundo mais difícil de se obter que o equilíbrio??
Chego ao fim dessa postagem como cheguei no início: sem respostas...

domingo, 16 de agosto de 2009

Quero sim!

Quero dias de felicidade infinita. Quero choro de dor interminável. Quero agradecer por mais um dia de vida. Quero querer morrer. Quero dizer tudo que me vem à cabeça e me arrepender depois. Quero ficar pensando no que eu poderia ter dito e não disse. Quero saber tudo. Quero não saber nada e precisar pensar à procura de todas as respostas para todos os mistérios. Quero me sentir a pior pessoa do mundo por fazer alguém sofrer. Quero sofrer pela pior pessoa do mundo. Quero amar com todas as minhas forças, com a certeza de que será pra sempre. Quero desabar ao perceber que o amor não foi pra sempre, e simplesmente, acabou. Quero nascer a cada dia. Quero ser uma nova personagem a cada raiar do Sol. Quero tirar as máscaras. Quero ter novas máscaras. Quero ser eu. Quero dar intermináveis gargalhadas. Quero não achar graça e depois dizer claramente que eu não achei graça. Quero me arriscar. Quero cair e me machucar. Quero não querer mais levantar. Quero querer levantar. Quero levantar e depois cair quantas vezes for preciso. Quero aprender alguma coisa com cada tombo. Quero sentir desprezo, nojo, raiva, tristeza, alívio, alegria, euforia, paz. Qualquer coisa... Quero sentir. Quero ser. Quero viver!

As revelações da noite...

Minha casa mal-assombrada sou eu mesma. Só preciso de momentos de insônia para percebê-la. Só preciso me perder em meus pensamentos para encontrá-la. Estar completamente isolada num mundo vazio se torna a melhor maneira de ver como tudo acontece.

Não ouço correntes se arrastando pelas escadas. Contudo, meus velhos chinelos barulhentos exercem a função de me levar a procurar pela casa algo que ainda não sei o que é. Não ouço fantasmas me soprando ao ouvido. Porém, um passado ainda não decifrado consegue me assombrar, juntamente com um futuro embaçado que me assusta. Não há animais demoníacos me perseguindo. Mas os cães da vizinhança parecem querer me dizer alguma coisa em seus latidos.

Um desespero terrível se aloja em mim e eu nem ao menos sei o motivo. Mil perguntas surgem do meio do nada e não oferecem o mínimo de ajuda na minha eterna procura pelas respostas. O relógio de repente passa a me contar as horas de uma maneira diferente. Ainda não descobri se é de uma forma mais rápida ou mais lenta. Sei que é diferente. Nenhum momento do dia se assemelha ao agora. Agora é diferente.

Até a Lua, que outrora fora minha bela amiga e confidente, quer me dizer algo. Tento identificar sua charada, mas nenhuma ideia se passa na minha cabeça sobre esse mistério.
Por que me sinto tão inquieta se nem ao menos sei o que acontece? Se nem ao menos sei se algo acontece...

Dormir me salvaria disso tudo? Tento. Mas o sono não vem. O que fazer agora?

Intermináveis horas enfim me permitem encontrar o repouso. Mas este não é um descanso propriamente dito. Todo esse terror consegue alcançar meus sonhos e fazer com que eu fique perdida até mesmo lá.

O que fazer agora?

Amanhã um novo dia vem. Amanhã.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Crise de escritura...

E ainda que eu me desesperasse, nada consigo escrever...
Torço para que um post saia amanhã!
Talvez um cinema me cure... Rsrs
Tenham um bom fim de semana! 15/08- Dia dos solteiros!!! Então, aproveeeeiteeem!!!kkkk
Kisses!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Questões

Se aprendemos desde sempre que ninguém é igual a ninguém, por que fazemos parecer que é necessário todo mundo ser igual a todo mundo? E se todo mundo é igual a todo mundo, por que às vezes não somos vistos como todos iguais? Afinal, somos iguais ou diferentes?
Se ninguém sabe imediatamente o que fazer da própria vida, por que cobramos tanto que os outros saibam?
Por que mentimos quando a verdade seria a melhor solução? Por que passamos tanto tempo nos maquiando em vez de mostrarmos ao mundo quem realmente somos? Por que acreditamos em mentiras que lemos nos jornais, mas duvidamos das verdades que vêm dos nossos corações?
Por que sempre preferimos acreditar que é coincidência o que, na verdade, é providência? E por que não identificamos as coisas boas que as verdadeiras coincidências podem nos trazer?
E se o amor deveria ser algo sublime, mágico e maravilhoso na vida do ser humano, como conseguimos fazer com que ele se transforme em algo tão confuso? Por que o amor é tão recusado quando nasce e tão doloroso quando morre?Por que o Sol é tão querido num dia chuvoso e tão evitado num dia ensolarado?
Por que só querem a opinião de quem concorda?
Por que não podemos nos desesperarmos, nos confundirmos, nos irritarmos, nos ridicularizarmos? Por que não podemos surtar?
Por que as coisas que aparentemente são simples, na verdade, não são?
E por que nós, imperfeitos seres, não podemos nos aceitar como tais e simplesmente compreender que compreender tudo no mundo nem sempre é possível?

"Um mundo mais brasileiro"

Ouvi essa expressão num comercial de tv um dia desses... E fiquei pensando em como seria um mundo todo mais brasileiro. Comecei a escrever sobre isso, mas desisti de publicar. Simplesmente porque me cansei de falar mal do Brasil. Ainda não me sinto feliz com a conduta do povo brasileiro, mas percebo que meu sentimento de decepção não é tão limitado assim... Se não gosto das atitudes de determinadas pessoas, isso não vai se restringir somente ao Brasil.
E sabe o que eu pensei? Não pode estar o mundo todo tão errado assim.
É, talvez o problema é comigo...

domingo, 9 de agosto de 2009

[Vaga]nte...

E como uma alma que não mais vive apesar de ainda não morrer, ela não mais andava. Apenas vagava.

Não mais percebia se alguém a olhava. Na verdade, não mais percebia se havia mais alguém.

Não se preocupava com o que aconteceria dali pra frente e nem o que acontecera até ali.

Sua expressão mostrava claramente que não mais se importava com nada.

Quem a encontrava não a decifrava.

Uma grande muralha a mantia longe de todo o resto.

Ainda hoje penso se ela sentiria algo caso um caminhão a atropelasse.

Estaria seu corpo assim tão ausente quanto sua alma?

Sei o que ela passava...Só não sei se era bom...Nada nela transparecia como era se sentir assim...

Enfim...
Pensava, mas não mais existia.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um instante de saudade

E ele, com coragem e medo, pergunta a ela se sentirá saudades... Usando de toda a sinceridade que encontrara em sua alma ela responde que sim. E aqueles segundos de despedida duraram séculos a partir do tempo que eles passaram a usar.


Suponho que não seria possível narrar tudo o que passara em sua mente naquele momento. Lembranças se misturavam às previsões; as certezas se misturavam aos medos... O que aconteceria a partir daquele momento? Seria o fim do conto de fadas ou só uma pausa para aumentar a emoção?

E sendo passado o triste tempo, percebe quanta saudade sentira...
Aquele aperto no coração que fazia doer e fazia com que a respiração parasse por alguns instantes... Aquela raiva pela falta que alguém poderia fazer em sua vida... Aquela ansiedade em pensar no tempo que ainda faltara para se encontrarem... Aquele desespero em imaginar que poderiam não mais ter toda aquela magia... Aquela vontade em ter novamente as mãos e as almas unidas...

Sim, sentira saudade...

Sem título

E o que eu sou nesse momento? Tudo se mistura com tamanhas intensidade e velocidade que eu já nem consigo identificar o que é quem.
Te achei, medo! Tua cara eu já conheço... Às vezes não te dou atenção devida, porque me esqueço que tenho que te enfrentar. Conviver com você foi se tornando cotidianamente rotineiro. Agora percebo quão ruim isso é. Não quero ser tua amiga. Não quero estar contigo. Se pudesse, acabaria agora com a tua raça, e ninguém mais me veria contigo.
Mas afinal, suas vidas não acabam? Quantas vezes preciso te enfrentar e me enganar achando que te matei definitivamente? Pra sempre você vai voltar e me derrubar impiedosamente?
Me diz se é assim só comigo...Me diz se você persegue incansável mais alguma alma no mundo! Me diz se você vai se cansar de mim e passar a perseguir outro pobre ser errante... Me diz se isso acaba.
Me esforço na árdua tarefa de reconhecer quem mais passeia pelo meu coração. Dá pra se identificar? Dá pra dizer pelo menos qual é o seu nome? Vocês são tão parecidos...E tão diferentes...Tão confusos...Tão irreconhecíveis...
Ei, você!Tenho a impressão que te conheço! Acredito que não fomos apresentados, mas sua fama atravessa continentes...Será que é você mesmo? Parece diferente... Não, não pode ser você...Mas se não for você a lendária figura que penso, quem serás?
Ora, assim não te reconheço! Se tu me passas a impressão de que trocas de face a cada instante, se me confundes a cada movimento, se não me dás uma só palavra de certeza sobre quem és... Como ousas entrar em mim sem sequer se anunciar?
Aliás...vocês todos!!! Quem são? Como chegaram aqui? E quem pensam que são para invadir um território que outrora adormecia abandonado?
Tudo era tão calmo...Por que se instalaram aqui? Eu não precisava de vocês aqui! Juro que não precisava!
Quem é você? Me solte! Me solte! Que audácia! Espere...conheço você! Raiva é seu nome, não? O que vai fazer?
Não! Medo, saia já daqui! Me soltem!
Esperança, posso te ver aí escondida...Acorde!Me ajude...Me ajude...
Ah, saudade....Me bate e me beija! Não sei o que pensar de ti! Não sei o que pensar de todos vocês! Não sei mais nem onde estou...Tudo parece tão estranho e irreal que as palavras perderam toda sua capacidade de descrever...
Tudo se torna inexplicável, incompreensível, indizível...In...In...In me.

terça-feira, 28 de julho de 2009

13/07/2009

E é assim que sou.
Ainda que falsamente, sou.
Não sei ser diferente disso.
Não me ensinaram a me mudar.
Não me mostraram como interpretar outro papel.
Enfim, essa coleção de defeitos aprendeu a ser eu.
Esses sentimentos me montaram.
Não volto a ser o que fui.
Tampouco serei outra vez o que sou.
Não lamento não ser o que era.
Só espero enquanto sou o que não serei.