terça-feira, 8 de março de 2016

O machismo nosso de cada dia da mulher

Hoje as mulheres da empresa ganharam um presente da associação de trabalhadores. No dia da mulher. Uma data marcada pela luta feminista. Uma data marcada pelo nosso pedido constante de respeito,  consideração e igualdade. Não é uma luta por flores. Não é uma luta por chocolates. Não é uma luta por privilégios. Não queremos palavras bonitas no oito de março, carregado de hipocrisia no resto do ano. Queremos igualdade, consideração e respeito. Ganhamos um kit de costura. Foi um tapa na minha cara. Foi um reflexo do machismo que convivemos todos os dias. Uma das mulheres postou sobre o presente de grego. Disse a ela que tinha sido imprudente. Mudei meu discurso,  ela foi corajosa. Coragem pra mostrar o que engolimos todos os dias a seco, percebamos ou não: o machismo. Que não engulamos mais. Que percebamos que o nosso lugar é na costura se escolhermos assim e não por nos ser imposto. Que nada mais nos seja imposto pelo simples fato de sermos mulheres. Somos mulheres e nosso lugar é onde quisermos estar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

I'm back.

Não poderia encontrar título mais falso para este momento. Não estou de volta, infelizmente. Ainda não.
Não consigo viver, não consigo conviver, não consigo crer, não consigo escrever, não consigo descansar.
Ah, descansar...
Corpo e mente.
Quem dera pudera.

Quem dera poder realmente agradecer a um deus, uma deusa, ao cosmos, ao universo, ao nada (que também pode ser tudo). Agradecer o que aconteceu de bom ou agradecer o que não aconteceu ainda, na tentativa (talvez ilustre, talvez ridícula) de conseguir que o universo devolva coisas boas se eu disser coisas boas também.

Consegui essa receita para me tirar do buraco. E consegui de uma das fontes mais seguras que existem no mundo, mas ainda não fui capaz de realizar tal feito. Talvez eu realmente possa estar de volta um dia. Ou talvez o mais óbvio aconteça: tal qual acontece com todo o resto no universo, outra fase comece e eu serei eu de outra forma, conforme a fase vivida. Sem toda a dor que tenho vivido, ou aprendendo a conviver com ela, não sei. Só sei, por enquanto, que preciso viver. Sobreviver, não dá mais. E, agora sim, eu tenho um motivo mais que grandioso para conseguir viver da melhor forma possível, e conviver e crer e escrever e ler e rir e dormir e acordar e ser e sentir e vencer e perder e aprender e superar e continuar e descansar.

E, enfim, descansar.

domingo, 28 de julho de 2013

Que não haja ninguém melhor!

E eu vou caminhando no escuro com minha pequena lanterna. No catálogo em que fiz o pedido dela, diziam que iluminava muito gastando pouco das pilhas. Parece que não é o suficiente.
Com o meu pequeno fecho de luz, eu sigo no caminho escuro. Uso minha lanterna pra conseguir superar esse caminho cheio de dificuldades e pra chamar a atenção daquele que é meu alvo.
Tento caminhar enquanto levanto o braço o mais alto que eu puder pra que ele possa ver minha luzinha. Mas ele não vê.
Existe uma luz mais forte, mais bela, mais admirável e a minha fica ofuscada por ela. Os meus tropeços, ele vê. E me diz pra não tropeçar mais. E depois volta a admirar a luz que é melhor que a minha.
Eu sigo tropeçando com meu caminho tortuoso e fechando os olhos para torcer que não haja uma luz melhor que a minha. Mas, às vezes, preciso abri-los para continuar a andar. 
E aí eu a vejo, me ofuscando de novo.
Afinal, já há alguém melhor.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

E às vezes a gente se sente um toco.
É, um toco.
Tipo aquele que sustenta os bancos da praça com a nova modelagem depois da última reforma.
Você começa bem novinho, roliço, cheio de beleza com aquele verniz para te dar uma cara de vida e aí as coisas começam a mudar.
Vem a chuva, depois uma pessoa sentada em você, depois o Sol, depois o vento, depois uma pessoa que se deita ali pra passar a noite até o guarda mandar embora, depois a poeira, depois a criança que sobe onde não devia subir, depois a puta que pariu. Tudo vem.
Você suporta ali, sendo banco.
Aí você vê que tem uma rachadura.
Uma rachadura vagabunda bem pequena, com se fosse uma ruga no canto do olho.
Mas ela não se contenta em ficar ali e ser rachadura.
Ela vai crescendo e crescendo e vão chegando novas rachaduras.
Você continua ali, sustentando o banco e enfeitando a praça.
Mas as rachaduras também estão lá, e aumentando.
Até que você percebe que tem uma rachadura bem no meio. Sim, bem ali no meio.
Uma rachadura maior que as outras, que vai de um lado a outro.
De um lado, ela é um rachadura normal, mas até chegar do outro lado ela vai aumentando.
E quando chega do outro lado, alguém percebe que cabe o seu dedo indicador dentro dela.
E pensa que ela é igual à madeira.
Com o dedo indicador dentro da nossa rachadura, ela pensa no quanto as rachaduras vão separando as partes e de repente elas não se encontram mais.
Só nos resta colar a rachadura enquanto as duas partes estão ligadas na próxima reforma municipal e torcer para não ser o banco substituído da vez.

domingo, 14 de outubro de 2012

"Goodbye, so long, my love..."

Não consigo escrever.
Dizia que escrevia melhor quando eu estava "nada". 
E não mais estou nada.
A ansiedade matava a minha vida, mas fazia com que eu buscasse refúgio na escrita para me acalmar. 
Encontrei remédios.
Poderia escrever sobre como é encontrar o amor descrito na ficção, mas sempre acho as palavras relacionadas a isso um tanto quanto pobres e não descrevem merecidamente como o amor é.
Poderia parar de tomar os remédios, mas ao melhorar a escrita isso começa a estragar a minha vida e as de outras pessoas.
Poderia fazer algo que fizesse com que o som dos meus dedos no teclado ou do toque da caneta em um papel fosse o som de uma produção bem sucedida de algum escrito. 

Mas, não.

Eu prefiro continuar sentindo cada momento de felicidade que me consome, e os momentos de tristeza que volta e meia aparecem. Eu prefiro não ser "nada" de novo.

Sinto que isso talvez signifique a despedida da escrita. Mas é a hora de viver e não posso sacrificar isso.

Espero pelo dia em que serei capaz de fazer os dois e conciliar vida e imaginação, sem pecar com nenhum de ambos os lados.
Espero que isso possa acontecer.
Por enquanto, me despeço.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Se a esperança é a última que morre, o que aconteceu com todo o resto? 
Quando foi que eu me tornei essa cidade fantasma?
Quando foi que minha coragem de mudar o mundo foi roubada?
Quando foi que essa distância de mim mesma se tornou tão absurda?
Quando foi que a luz do poste parou de acender?
Quando foi que a minha imagem no espelho foi trocada?
Quando foi que tudo ao redor ficou ao contrário?
Não sei.


20/05/2009

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Era pra ser uma carta, mas virou isso.

Como vai, querido amigo? Sinto saudade de conversar contigo... Conversar tolices mesmo. Talvez conversar coisas não importantes façam com que eu me sinta menos adulta.
Tenho que admitir: nunca quis tanto parar com essa brincadeira de ser adulta. Tenho que admitir que talvez eu não tenha forças para conseguir conviver com todas estas coisas e ter que resolver todas estas coisas ao mesmo tempo.
Tenho que admitir que sou fraca e que não sei por quanto tempo mais vou conseguir segurar todo esse peso e, ainda assim, continuar caminhando. Tenho que admitir que sou imatura e ainda não sei lidar com tudo isso...
Sei que você é adulto (diferentemente de mim, verdadeiramente adulto) e que talvez nem tenha tempo para me ouvir choramingar sobre meus pensamentos perdidos. Mas de qualquer forma, você foi a primeira pessoa em que pensei para dividir um pouquinho destas dúvidas que estão crescendo e me consumindo.
Mas, quer saber? Deixa pra lá.
Tentei ser breve. Sinto que estou incomodando. Apareça. Preciso mais de abrigo do que de briga agora.


terça-feira, 29 de maio de 2012

menininho

Sem nenhuma timidez, pôs a cabeça em meu ombro como se descansasse sempre ali. No momento em que se encostou em mim, acalmou-se numa paz que há tempos eu não via.
Ficou ali, encostado, quieto, calmo.
Ao assisti-lo, calma e quieta, queria mais: queria perguntar a ele como é que se livra do peso do mundo e se encontra aquela paz.


24/04/2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

rabiscos

Queria eu ser Chico e poder fazer para ti a mais bela das canções de amor. Caso não fosse possível, queria eu ser Drummond pra encantar seus olhos e seu coração com meus versos profundos. Se não pudesse, queria escrever-te um drama tão profundo e eterno como fez Shakespeare.
Queria eu poder explicar-te de uma forma simples a confusão consentida e sem explicação do que você provoca em mim; sua invasão sem piedade na minha rotina, sua presença religiosamente assídua nas minhas noites em sonho, sua insistência em atrapalhar o resto do mundo tomando conta totalmente da minha falha memória, sua aparição que veio e foi embora rapidamente, sua ausência que me mata aos pouquinhos a cada minuto.
Queria eu que ainda pudesse te ver, só de vez em quando mesmo já bastaria; que ainda pudesse sentir a sensação da mistura da sua pele com a minha pele, da minha alma com a sua alma, da minha imatura emoção com a sua sádica maneira de me causar desordem mental.
Queria eu que você me entendesse como fez Humberto ao cantar para todos o que eu também sinto: “Toda noite de insônia eu penso em te escrever, pra dizer que  o teu silêncio me agride. E não me agrada ser um calendário do ano passado.”
Queria eu não escrever nada, ou conseguir escrever qualquer coisa sem que o assunto fosse você.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

para o S2

Se você tiver coragem de me dizer que você meio gosta de mim
Eu não vou fugir a pé.
E se você falar que eu sou tudo que você sempre quis pra ser feliz
Eu não vou pro lado oposto ao que você estiver.

Eu não fugiria de você, 
mesmo sabendo que se fosse você, você fugia.

Ei, não vai pegar mal se você contar que imprimiu todo o meu mapa astral.
Eu não vou correr assim que der, quando souber.

E se você falar que decorou meu RG só pra se precisar
Eu não vou pra um chalé em Macaé.

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Se fosse eu, eu não fugia.

Se você disser que foi por amor que você invadiu o meu computador
Eu não pego um avião
Se você contar de uma só vez como você achou minha senha do cartão
Eu não fujo pro Japão, esse verão.

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.

E se você contar como é que você se sentiu ao grampear meu celular
Eu não vou numa DP
E se você mostrar o cianureto que você comprou pra gente se matar
Eu não mando te prender no amanhecer

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia

Eu fugia com você pro nosso lugar...




Respondendo ao Vini S2, inspiração-quase-plágio da música Macaé, da Clarice Falcão