sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Coração de pedra (Parte I)

     Era considerado louco, o pobre velho. Que fique bem claro que, ao dizer que o pobre velho magro era considerado louco, não aponto falsidade a quem o considera assim nem concordo com tal afirmação. Não sei o que acontecia com sua saúde mental e sei que todo mundo acha que sabe diagnosticar doenças - sejam elas físicas ou mentais - a partir do que vê na televisão. Sabendo disso e de somente alguns detalhes sobre o acontecido, é que começo a desenrolar a história.
     Já disse que era magro e mal vestido o pobre velho e que não agia como a maioria  age. Mas agia a cada dia como havia agido no dia anterior. A plateia que parava a vida e assistia o magro velho pobre sabia que todo dia ele agia como todos os dias, mas ainda assim paravam a vida e assistiam o velho. Não sei porque parava-se e assistia, mas sem porquê nem explicação era o que acontecia ali.
     O velho passava pela rua. Rua que não tinha carro pra passar. Rua de asfalto cinza feito por operário cuidadoso que nem se lembrava mais daquele asfalto ou que este tinha sido feito por ele. Asfalto cinza que era coberto por camadas antigas e novas de poeira e que faziam o asfalto deixar de ser cinza para ganhar uma cor  sem nome e sem referência possível. Era só isso: o velho, a rua, o asfalto, a poeira e a pedra. A pedra que tão simples é na vida, tão importante é para esse enredo. Se fosse uma novela, seria uma mocinha. Ou uma vilã. Ou um papel de destaque. Mas como não é, ela continua a ser pedra.
     Agora que já está exposto o cenário, posso começar a contar a breve história. Maiores detalhes tornam-se desnecessários. O que nos importa é o velho e sobre ele é que vou tratar.

Um comentário:

Jenny Cullen Neto disse...

Qd der, visite tb meu blog de humor!
Um graande abraço e parabens pelo blog
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@santaingnoranca